A primeira vez que ouvi falar sobre o Vale do Capão foi no final de 2005, através da minha irmã, pesquisadora de dança do ventre. Ela descobriu uma professora baiana, a lindíssima Bela Saffe, que viajava àquela lugar uma vez por ano com o objetivo de ministrar um workshop de Dança do Ventre. Então, no inicio de 2006 eu, minha irmã e mais duas amigas partimos para o tal vale.
Para quem nunca ouviu falar do Vale do Capão, deixe-me apresentá-lo: ele fica a cerca de 460km de Salvador, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Parte do município de Palmeiras, a Vila do Capão tem cerca de 1.500 habitantes, entre nativos e não-nativos. Sim, porque essa é uma vila cosmopolita! A vila abriga argentinos, franceses, italianos, bolivianos… gente de toda parte do planeta que visitou o Capão e não conseguiu viver em mais nenhum outro lugar depois dele. Isso significa que, entre as atrações turísticas do lugar não estão apenas as trilhas e as cachoeiras, mas as tortas de banana, lasanhas, licores e yakisobas.
Nesse feriado de 07 de setembro, fiz mais uma visita ao meu pedacinho de céu e meu dei conta que a gastronomia é uma grande parte das minhas idas e tem suas paradas obrigatórias!
Um dia lá no Vale do Capão começa assim: você acorda cedinho, com o cheirinho do café da manhã. Acredite, você vai precisar de pelo menos 40 minutos para se deliciar com o de jejum. São iogurtes com granola, tortas de banana, pãezinhos com gosto surreal e um café orgânico maravilhoso! Entre locais para tomar café, acho que o mais inusitado é a Pousada Lakshimi, com seu café da manhã indiano. Destaque, na minha opinião, vai para o Lassi, iogurte aromatizado com frutas e ervas aromáticas.
Depois de passar o dia todo fazendo caminhada, seja em linha reta, em trilhas fáceis, ou em escalada de morros ou descidas de grutas, chega hora de “almojantar”. Aí, as opções são muitas:
A praça da vila abriga alguns PFs, todos com opção vegetariana (viva!). Com gostinho de comida caseira, podem até dizer que um prato dá para duas pessoas, mas se você estiver voltando de trilha, não divida com ninguém, porque além de gostoso você vai estar faminto!
Outra opção apetitosa é ir ao restaurante de Diego. Argentino que fez do Vale do Capão sua casa, seu restaurante fica numa rua próxima à praça serve café da manhã e jantar. O grande destaque é a lasanha, que à propósito, também não leva nenhum tipo de carne . Deliciosa, não tenho como descrever além de pedir desculpa aos italianos e dizer que é a lasanha mais gostosa que eu já comi!
Ainda na categoria comida italiana, tem a pizzaria da praça. Ao lado da igreja, ela tem apenas dois sabores: salgada e doce. E eu sei que estou ficando repetitiva, mas também é uma coisa de outro mundo! A salgada leva tomate e molho pesto e a doce é de banana com açúcar e canela. Para deixá-las com um gostinho ainda mais “capão”, experimente com mel de pimenta, que combina muito bem com a pizza salgada. O corte da pizza não é o convencional e ela vem em pedacinhos de tamanhos diversos. Mais um detalhe: não espere por pratos! A graça da pizza é a meleira de comer com a mão!
Mas e se eu estiver com vontade de comer comida japonesa? É só ir para o Yakisoba! Além do prato que é o nome do restaurante, lá também é servido o Bifum (macarrão de arroz) e o Yakimeshi (risoto japonês). Todos com a opção frango, carne, misto e tofu. Mais um ponto para o restaurante: além de servir uma comida gostosa, num ambiente super agradável, o Yakisoba também tem uma versão vegetariana de cada prato!
Aí você termina de “almojantar” e o que você faz? Vai para Palito tomar licor! O legal não são apenas dos sabores variados, mas a presença do dono da casa, que é uma figura! Sim, porque ele transformou a sala de sua casa num pequeno bar, que só serve os licores que ele mesmo faz. E se ele não estiver em casa, procura ele na praça.
O perigo é rodar a praça. Tem o crepe da francesa, o pastel de palmito de jaca e mais um monte de gente que vende colares, anéis, brincos e até móveis feitos com árvore que caiu na mata. Minha praia é associar o turismo de aventura à viagem gastronômica, mas para quem curte arte, cultura, ecologia, paz e sossego, o Vale do Capão também é um pedacinho do céu.




