Superando Frustrações

Hoje eu entreguei um bolo e a cliente não gostou. A encomenda era um bolo azul e amarelo, de dois andares (o de baixo de coco e o de cima de chocolate). Era para ser com o tema do Mickey. Ela tinha me pedido umas miniaturas, que, pelo preço que cobrei, avisei que não seriam comestíveis. O primeiro problema foi que a miniatura mais barata que eu encontrei custava R$ 20,00, valor que extrapolou o orçamento dela.

Após um dia inteiro procurando algo mais em conta (entre shoppings e Av. Sete), encontrei uma vela do Mickey que, finalmente, achei uma gracinha. Pronto. Problema resolvido, certo?

Errado.

A cliente foi bem taxativa: “o bolo esta feio. Não está colorido como eu pedi. Queria o bolo azul, amarelo e verde. E mais, uma vela é só uma vela. Não é decoração. Alias, o bolo não tem decoração nenhuma. Esta feio.”

Primeiro veio uma onda de frustração. Depois veio a lembrança da minha época de hotelaria, quando eu lidava com cliente frustrado (e quem já se frustrou como cliente). Consegui mediar a situação – assim espero.

Além de mediar a frustração da cliente e a minha, o meu maior desafio dessa encomenda foi não deixar meu ego tomar as rédeas da situação quando ela disse que o bolo estava feio. Para mim, o bolo ficou simples e lindo!

Assim que ela foi embora (levando o bolo, diga-se de passagem) pensei em escrever sobre o acontecido aqui no blog. Em seguida vieram duas vozes na minha consciência – minha mãe e minha irmã – perguntando se eu devia realmente escrever sobre isso.

Parei para pensar.

(…)

Bom, esse blog não é apenas um meio de divulgar meu trabalho, mas de dividir o que estou aprendendo enquanto estou aprendendo. Já escrevi sobre projetos que me inspiram e pessoas em quem me espelho, mas nunca sobre uma frustração.

E a gente sempre aprende mais com os erros do que com os acertos. Eu já mudei muita coisa e muita receita por causa de erros e isso é ótimo, porque minhas receitas estão sempre melhorando.

Então, o que eu aprendi com minha frustração?

Transparência é tudo! É muito importante deixar claro o que eu faço e o que eu não faço. Por exemplo, quando ela me mostrou a foto do bolo, em vez de ter dito “posso fazer algo deste tipo”, eu deveria ter dito “irei me inspirar no bolo, mas ele não ficará igual”.

Eu encaro meu trabalho como uma obra de arte – por mais clean que seja. É impossível você encomendar duas obras exatamente iguais de um mesmo artista. Imagina de artistas diferentes.

Outra coisa, eu trabalho com amor. Por mais clichê que possa parecer, cozinhar para mim é um ato de doação. Coloco meu melhor em cada bolo, cada doce, cada preparação. Minha intenção é não entregar apenas uma comida gostosa e bonita, mas cheia de boas energias. Então, quando a ouvir dizer “está feio”, minha vontade foi de partir o bolo e dar uma fatia para ela experimentar. Isso não ia fazê-la achar o bolo mais bonito, mas sempre achei que as pessoas podiam sentir o sabor da energia positiva na minha comida. Eu tenho certeza que, quando esse bolo for partido, ela vai mandar um pouquinho dessa energia positiva de volta para mim!

 

Para quem ficou curioso, aqui esta o bolo

 

 

8 respostas

  1. Juli essas coisas infelizmente acontecem, muitas vezes o próprio cliente não conegui decrever bem o que quer. Lindo seu trabalho! Eu estou caminhando pelas linhas da confeitaria e perecebo que o melhor é não esuquentar a cabeça e fazer tudo com muito carinho e amor. Bjo

  2. Juli, antes de saber do acontecido ( soube neste exato momento) ,havia mostrado o seu trabalho para algumas amigas pelo fb que estavam comigo. Todas adoraram, inclusive o tal bolo, que muito chamou atenção pela simplicidade e elegancia, mistura que sempre dá certo. Voce está certa quando diz que nenhum pode ser igual à outro, e outra coisa: opinião e gosto, é que nem nariz: cada um tem o seu. E existem aqueles desafortunados que não tem nem uma coisa nem outra. Continue com seu trabalho, ele é lindo, inspirador e, decididamente, DELICIOSO!

  3. Juli, minha irmã uma vez recebeu uma encomenda de um bolo de 70 anos, que tinha que ter o número 70 em destaque, quando a dona do bolo chegou, disse: ué, mas o aniversário é de 60 anos!! Infelismente essas coisas acontecem!

  4. Juli, o bolo ficou lindo. Gente é assim mesmo: estranha. Eu, que sou adepta ao estilo clean, super amei!
    Mais um detalhe: toda unanimidade é burra. É importante que, de vez em quando, tenha gente que não goste. Assim vc pode se aprimorar mais e mais.

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