No jornal A Tarde de ontem, 11 de dezembro de 2011, domingo, saiu uma matéria, mais especificamente, no Caderno de Emprego. A matéria foi escrita por Thiago Guimarães e as fotos tiradas por Mila Cordeiro. Quer conferir? Abaixo, além da foto do jornal, segue a matéria na integra.

O espírito empreendedor pode aflorar em situações diversas e não são poucas as vezes em que ele ganha força nos momentos de dificuldade. Foi o caso da publicitária Juliana Moreira, 27, que, ao ser demitida do antigo emprego, começou a fazer cupcakes (minibolos) em casa, para vender enquanto o tempo ruim passava. O passatempo deu tão certo que virou negócio. Hoje, com menos de dois anos de mercado, Juli já planeja sair de casa, abrir o próprio espaço e se tornar uma microempresária.
“Primeiro veio o choque. O que é que vou fazer de minha vida?”, perguntava-se Juliana quando ficou desempregada, em maio de 2010, devido a uma reestruturação interna na rede de hotéis em que trabalhava. Passado o susto, Juli decidiu que precisava fazer algo enquanto buscava emprego. Foi então que surgiu a ideia dos minibolos.
Como já fazia cupcakes nos aniversários da família, a cozinha não era novidade, muito menos um sacrifício para a jovem apaixonada por culinária; e as vendas começaram. “Na época, só para amigos próximos e amigos deles”, lembra. Após um mês de pequenas encomendas, ela percebeu que poderia vender e divulgar seu produto para pessoas fora do circulo pessoal, por intermédio de uma novidade que ainda não havia chegado em Salvador: os sites de compras coletivas.
Vender e divulgar
A dica veio de um amigo, que vivia no Rio de Janeiro. No mesmo mês, em julho de ano passado, Juliana entrou em contato com um representante que treinava os primeiros vendedores na Bahia e fechou anúncio. “Fiz uma oferta de 48 horas na primeira semana de atuação do site por aqui e vendi 400 kits, com seis cupcakes cada”, conta a empreendedora, que garante ter conseguido entregas para trabalhar por seis meses.
Como a intenção era divulgar o produto, Juliana criou a marca Eu Cupcake Você, para apresentar um nome ao novo público e optou por vender com preço menor que o do mercado, o que diz ter sido crucial para seu objetivo. “Queria que as pessoas soubesses quem eu era, e funcionou! Até hoje recebo ligações de clientes que me viram no site de compras coletivas”, conta.
No meio tempo, Juli intensificou a divulgação na internet com o blog (julimoreira.wordpress.com) e na rede social Facebook, onde postava fotos dos produtos e se conectava com novos clientes. Com as vendas e a divulgação indo de vento em popa, a formalização da empresa virou algo inevitável. “Estava recebendo encomendas de empresas e precisava emitir nota fiscal”, conta e empresária, que, no final de 2010, cadastrou-se como microempreendedora individual no Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae).
A divulgação na internet, o preço competitivo e a qualidade foram os diferencias para o sucesso do produto
“Em Salvador, as modas acabam rápido”. Apesar de não ter em mãos uma pesquisa que indicasse isso, Juliana sempre acreditou nessa ideia. “Eu imaginava que iria continuar tendo encomendas com os cupcakes, mas sabia que as vendas iam reduzir, então, no inicio deste ano eu mudei o nome do blog para Patissaria Juli Moreira e, além dos cucpakes, comecei a trabalhar com bolos, trufas, cookies e, mais recentemente, até tortas salgadas”, diz. Foi também no inicio deste ano que Juliana ingressou na universidade de gastronomia, com o intuito de se capacitar e criar novos sabores. “Texto minhas receitas na universidade. Tenho colegas que são chefs e que me dão o ponto de vista deles como clientes exigentes que entendem de gastronomia”, conta.
Sobre a expansão do negócio, o supervisor da Central de Treinamento do Sebrae Bahia, Fabricio Barreto, acrescenta que o próximo passo deve ser a capacitação gerencial. “São três alicerces que seguram uma empresa, o operacional que ela já está buscando com a graduação; a parte comercial, que, pelo fato de ela ser publicitária, já tem alguma experiência na área, e o conhecimento gerencial-administrativo, que aconselho que ela busque. Não adianta ter um bom produto se não gerenciar bem a empresa”, explica. Hoje, com 14 receitas exclusivas e mais a possibilidade de inovar a pedido do cliente, Juliana acredita que chegou o momento de cresce ainda mais, pretende buscar o Sebrae para aixuliá-la nos próximos passos e já prepara novidades para 2012. “Pretendo criar algo que ainda não existe em Salvador”.
Dicas e lições da história da empresa
CORAGEM Iniciar um novo negócio não é tarefa fácil. É preciso ter coragem e persistir na empreitada.
PRECEPÇÃO Ter sensibilidade para perceber e aproveitar uma boa oportunidade quando ela aparece é uma ferramenta importante.
CAPACITAÇÃO Buscar uma especialização na área de produção é um ponto positivo, mas a capacitação na área gerencial e comercial também é essencial.
PESQUISA A decisão de empreender deve vir pautada em uma pesquisa de mercado e viabilidade do negócio.
CORRER RISCOS Não dá para entrar em um negócio com medo de arriscar. O importante é tentar mensurar esses riscos.
PLANEJAMENTO Espinha dorsal de todo plano de negócios, o planejamento deve estabelecer metas que mirem nos objetivos maiores do negócio.